Bancada do Cosme

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paulobro
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Re: Bancada do Cosme

Mensagempor paulobro » 17 Fev 2015 16:39

Obviamente, sem conhecer os detalhes qualquer analise fica prejudicada, Cosme.

Como nao faco ideia de como exatamente pretendes construir o tampo da tua bancada, faco ainda menos ideia quanto aos passos intermediarios; nao tenho como entender para que efeito estas utilizando a serra de bancada, por exemplo.

Tanto quanto entendo, estas inseguro quanto ao desempenamento, duas faces nao estao casando bem. Como nao sei qual procedimento estas empregando para desempenar...


Em tese, para desempenar manualmente usa-se uma plaina desempenadeira. Quanto mais longa, melhor. E a melhor maneira de aferir a retilineidade e' o olho, 'mirando' raso como se a superficie plainada fosse o cano de uma arma. Isso, em tese. Na pratica, ha inumeras variacoes, conforme o caso...

Mas talvez valha notar que quando se trata de aparelhar pecas longas e grossas — como demonstrado no FORP — mesmo os principais arautos da marcenaria com ferramentas manuais utilizam mesmo e' plainas, desempeno e desengrosso, motorizadas.

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Em tempo:

Quanto ao papo do Tom Fidgen da "madeira sedenta"... nao sei, nao. Acho meio delirante, para falar a verdade.

Sem querer mergulhar em longas e convolutas consideracoes sobre comportamento da madeira em relacao a umidade, eu diria ha inumeros exemplos de pranchas aparelhadas de um lado so sem resultar em empenamentos. Apenas para ilustrar, experimenta googlar por imagens, com a string "moveis rusticos rolico": centenas de exemplos...
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cosme
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Re: Bancada do Cosme

Mensagempor cosme » 17 Fev 2015 22:20

paulobro escreveu:Como nao faco ideia de como exatamente pretendes construir o tampo da tua bancada, faco ainda menos ideia quanto aos passos intermediarios; nao tenho como entender para que efeito estas utilizando a serra de bancada, por exemplo.

O projeto contempla uma parte principal do tampo montada através de 7 caibros com 2 polegadas de espessura. As arestas ficam na vertical. Os caibros são unidos através de cola. A serra de bancada é para obter os caibros.

paulobro escreveu:Tanto quanto entendo, estas inseguro quanto ao desempenamento, duas faces nao estao casando bem. Como nao sei qual procedimento estas empregando para desempenar...

Estou inseguro com relação a validação do desempeno: régua de aço de 1m.
O desempeno é manual através plainas.

paulobro escreveu:Em tese, para desempenar manualmente usa-se uma plaina desempenadeira. Quanto mais longa, melhor. E a melhor maneira de aferir a retilineidade e' o olho, 'mirando' raso como se a superficie plainada fosse o cano de uma arma. Isso, em tese. Na pratica, ha inumeras variacoes, conforme o caso...

Não estou com problemas com relação a técnica ou ferramental para desempenar(ao menos não ainda :lol: ). Certamente ter uma #7 ou #8 iria somar, mas sinceramente a #6 cumpre o objetivo muito bem. Não gosto da técnica do olho para validar uma face. Eu somente a uso no começo para ter uma noção do que fazer. Cada um tem a sua precisão, a minha precisão geral em um procedimento de desempeno é de no máximo 0,3mm. O olho do Cosme não consegue ver esta diferença :grin:
Por aqui, observei que o comprimento de uma peça dita algumas particularidades no processo de desempeno. O mesmo para a espessura da peça. O meu primeiro desafio com peças "longas" foi com 1,60m. Lembro que tinha dificuldades em eliminar a torção, fora o fato que é um comprimento maior que a minha régua. Eu gosto muito de réguas para validar o desempeno. Agora é a primeira vez que me deparo com algo com 2m! Já é outra coisa. Nem no tampo temporário a peça cabe... Só isto já é um desafio quando a peça não é muito espessa: exemplo a régua que trabalhei hoje pela tarde. 2m é o dobro da minha régua de aço! Acho que estou querendo muito. Para 1,60m a régua foi bem mas agora estou bem inseguro.

paulobro escreveu:Mas talvez valha notar que quando se trata de aparelhar pecas longas e grossas — como demonstrado no FORP — mesmo os principais arautos da marcenaria com ferramentas manuais utilizam mesmo e' plainas, desempeno e desengrosso, motorizadas.

Por aqui não tenho desempeno. Tenho um desengrosso pequeno, porém não dá para confiar como passada final, só para desengrossar mesmo e terminar na plaina.

paulobro escreveu:Quanto ao papo do Tom Fidgen da "madeira sedenta"... nao sei, nao. Acho meio delirante, para falar a verdade.

Sem querer mergulhar em longas e convolutas consideracoes sobre comportamento da madeira em relacao a umidade, eu diria ha inumeros exemplos de pranchas aparelhadas de um lado so sem resultar em empenamentos. Apenas para ilustrar, experimenta googlar por imagens, com a string "moveis rusticos rolico": centenas de exemplos...

Pra mim faz muito sentido porque não acredito que a taxa de absorção de umidade em uma face felpuda é igual a uma face com poros expostos.
Com relação ao exemplo, não creio que é um exemplo que considera a reta que pra mim é uma reta. Reta acaba sendo subjetivo também, não existe reta perfeita, a minha reta normalmente não tem um espaço que chega a 0,3mm, para muitos isso é perda de tempo. Não creio que boa parte destes móveis tenham esta precisão. De todo modo, mesmo assim acredito que pode haver uma absorção grande e rápida na face exposta, e, após um descanso e um segundo desempeno, a peça fique ao menos mais estável, isso claro tentando desenvolver algo com base no seu exemplo considerando-se uma precisão alta.

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Re: Bancada do Cosme

Mensagempor paulobro » 18 Fev 2015 06:56

cosme escreveu:(...) Cada um tem a sua precisão, a minha precisão geral em um procedimento de desempeno é de no máximo 0,3mm.
(...) não existe reta perfeita, a minha reta normalmente não tem um espaço que chega a 0,3mm (...)


Tche Cosme, nao tenho experiencia, sequer referencias, de trabalhar rotineiramente madeira com margem de tolerancia tao exigua. Se tal precisao e' necessaria, se e' perda de tempo... nao vem ao caso. E' como gostas, e' como queres fazer — e boa!

Vou certamente continuar acompanhando atentamente o desenvolver do processo e tentar ir aprendendo alguma coisa que alcance. E, claro, tecer comentarios se e quando for coisa na minha alcada. 0,3mm de margem, certamente nao e', hehehe...

Em tempo:
O separador de orelhas ficou funcionando em background e ha pouco me ocorreu a ideia: usar a linha do laser de um desses niveis eletronicos para referenciar a retilineidade do aplainamento. Nunca usei, de fato nao tenho um nivel a laser, mas o que vi em videos sugere talvez possa ser util. Fica a sugestao...
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Re: Bancada do Cosme

Mensagempor cosme » 20 Fev 2015 19:20

Dá-lhe Paulo, o adendo "em tempo" somente estou lendo agora: isso me lembra um camarada especialista em cadeiras que usava dois lasers para estabelecer uma plano virtual em que ele iria fazer um furo na mão(aqui entende-se não necessariamente desplugado, mas de posse de uma ferramenta como a furadeira manual, por exemplo) no tampo da cadeira para depois fixar uma perna em ângulo. O vídeo demonstrava ele aplicando a técnica, achei muito interessante e me pareceu bem eficaz. Tenho que refletir e fazer algumas pesquisas sobre o assunto, de fato havia esquecido do laser no contexto do meu problema. Também não o tenho, em todo caso teria que entrar na lista de desejos.

Pois é, por ora ainda permaneço com este grau de precisão. Depois que eu "sair do estágio de iniciante" pretendo fazer um apanhado geral deste assunto e avaliar se devo aumentar ou abaixar a precisão, creio que aumentar não me parece o caso. Enquanto isso, que venham as investigações, experiências e tudo mais.

Então, deixei para responder somente agora porque eu esperava finalizar 01(uma) régua com 1985mm.
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A ideia aqui foi fabricar uma régua com uma espessura de ~1/2 polegada, um comprimento ~2000mm e uma largura de ~50mm.
Utilizei duas técnicas no intuito de amenizar o grau de empenamento:
1) Furo central: A idéia do furo central é expor uma parte do end-grain da peça no sentido de auxiliar em um movimento mais uniforme da madeira. Acredita-se(não sei ainda se isto já está provado) que a testa ou topo da peça(end-grain) absorve ou libera mais rapidamente a umidade. Como movimento interno que é responsável pelo empenamento é diretamente proporcional a umidade da madeira, as extremidades se movimentariam primeiro até que a umidade alcançasse um valor uniforme até o centro da peça. Com o furo, procura-se que o centro absorva ou elimine com uma taxa menos desigual com relação aos topos; Outra motivação para o furo é a facilidade em se segurar a peça, de fato é confortável ao menos para uma régua grande de 2m.
2) Corte triangular: Além da questão estética, de ajudar a evitar que a régua seja confundida com uma peça disponível para um projeto, demarcar claramente qual aresta da régua deve ser utilizada, por último, a madeira se movimento conforme a sua largura, quanto mais larga mais movimento há. O perfil triangular deixa cada um dos topos com uma largura significativamente menor se compararmos com o centro da régua.

Há uma explanação sobre os pontos acima em:
http://www.popularwoodworking.com/woodw ... l-of-holes

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Infelizmente eu só consegui fazer 01 das 03 réguas até agora, isto significa que não posso garantir a retilineidade.
Pretendo entrar em mais detalhes sobre a questão das 03 réguas após a construção das outras 02.
De todo o modo, usei a aresta de um trilho da Makita para ajustar a minha primeira régua. Apoiei a régua lateralmente na aresta do trilho e inseria o calibrador ao longo do comprimento da régua. Tomando-se este trilho como referência, que por sinal não sei se é uma boa referência, a minha régua ficou com uma precisão entre 0,15mm e 0,30mm. Usei um calibrador(sim, aquelas palhetas de metal com espessuras definidas, o meu inclusive é um chinês qualquer) para os ajustes e validação do resultado. Bolei um jig com uma plaina grande e dois grampos para realizar o desempeno da aresta da régua, gostaria de compartilhar isso, mas vou deixar para um segundo momento.

Como eu já imaginava, a régua deu muito trabalho devido a sua espessura e ao comprimento. Senti muita falta do tampo que ainda está em andamento....

Pretendo continuar o assunta da régua na próxima mensagem, vamos ver :chores-chopwood:

P.S.: Apliquei uma demão de óleo de tungue na régua. Uma oportunidade para ver como se comporta no Jequitibá.

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Re: Bancada do Cosme

Mensagempor paulobro » 21 Fev 2015 09:36

Como eu havia mencionado, Cosme, o comportamento da madeira em relacao `a umidade e' tema complexo e convoluto. Alias as propriedades da madeira, como ocorre com tudo que e' biologico, envolvem complexidades por praticamente qualquer angulo que se analize, nao apenas em relacao `a umidade... Mas divago!

Talvez um bom comeco, um bom ponto de entrada no labirinto dos complexos intercambios e efeitos ocasionados nos lenhos pela variacao da umidade possa ser essa lista de links ahi abaixo, para umas postagens por Mr. Steve Schafer. Nao e' exatamente leitura leve, tampouco pretende ser uma abordagem realmente compreensiva. Sequer se aproxima de esgotar o assunto; mas por algum lugar ha de se comecar, ne?

http://blog.lostartpress.com/2013/12/21/water-vs-wood/
http://blog.lostartpress.com/2014/01/11 ... he-sequel/
http://blog.lostartpress.com/2014/03/17 ... dge-match/
http://blog.lostartpress.com/2014/03/20 ... ry-enough/
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Re: Bancada do Cosme

Mensagempor cosme » 21 Mar 2015 19:52

Paulo, eu lhe agradeço pelos links, confesso que somente abri agora para ter uma noção. Já deu para perceber que será uma leitura interessante. Até a minha próxima postagem tenho tempo para digerir o conteúdo.

Vamos para a atualização dos trabalhos:
Há 15 dias atrás eu deixei três réguas de 2,1m feitas em Peroba Mica e retificadas com uma precisão de 0,3mm no meu espaço para fazer uma aclimatação e observar os possíveis movimentos da madeira. Pois bem, quinze dias depois volto ao espaço e para minha agradável surpresa constato que não houve qualquer movimento significativo, ou seja, continuo com os tais 0,3mm.

Ué, três réguas de Peroba? Mas e a régua de Jequitibá do post anterior!?
Pois é... Eu até nem mencionei o fato por acreditar que não seria um problema: a régua de Jequitibá estava bem envergada na face, ou seja, a superfície que faz 90 graus com a aresta da régua estava bem empenada. Pra que eu quero uma face devidamente desempenada? O que me interessa é a aresta! Ah sim... O empeno ocorreu em questão de poucas horas! Lembro de sair da para almoçar e ao voltar constatar o empeno. Não impliquei e segui em frente. O problema: Bom, com a segunda régua, em Peroba, bati a mão na testa ao perceber que não conseguia alinhar as duas arestas de 1/2, pois a de Jequitibá fazia um arco tão grande que não repousava em toda a aresta da régua de Peroba. Damn! Ao invés de duas, fiz mais três e deixei a de Jequitibá de lado.

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As réguas de Peroba além de não se movimentarem na aresta, obtive faces desempenadas o suficiente para conseguir colocar uma régua sobre a outra.

Por que o perfil deixou de ser triangular?
Eu percebi que a forma mais confortável e confiável de se comparar as réguas seria apoiar uma régua na mesa através da aresta. No caso, a aresta de trabalho fica para cima. Sobre a régua coloco uma segunda régua e faço a devida comparação e retificação. O perfil triangular me exige o uso de um grampo ou algo similar para manter a régua para cima em uma mesa. Sendo assim abandonei o perfil de triângulo e o furo central para dar lugar a somente um boleado para marcar a aresta que não é utilizada para verificação de uma peça qualquer.

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Para obter a desejada reta, eu comparei todas as réguas entre si invertendo em 180 graus uma régua com a outra no par que é formado entre as arestas. Quando eu obtenho uma reta com a precisão desejada, aqui no caso 0,3mm, em todas as combinações possíveis, eu tenho certeza que todas as três réguas estão prontas.

Pronto, finalmente posso voltar para o desempeno das peças do tampo :grin:

Ainda sobre as réguas algumas considerações pessoais até o momento:
Madeira:
1) Há movimento, exige manutenção para se manter reta, é um ponto contra frente uma peça de metal;
2) Custo baixo;
3) Eu escolho a precisão, não tenho que depender do que o fornecedor me oferece;
4) Possibilidade de personalização com relação as medidas. Neste momento, um cenário que vislumbro quando tiver tempo e ter réguas de vários tamanhos, pois creio que será confortável usar um tamanho adequado para uma peça em questão;

Metal:
1) Para os que não lidam com metais, é mais uma ferramenta a ser comprada no sentido não só do custo, mas no fato que o usuário fica a mercê da precisão e da qualidade do fornecedor, uma régua de metal de 2m com uma precisão elevada não custa o mesmo que uma régua qualquer;
2) Não há movimento, a manutenção fica somente por conta de um eventual dano a reta, a maior vantagem ao meu ver;
3) Estão disponíveis no mercado, problema resolvido: compra e usa;

Já usei a régua hoje para desempenar, agora devidamente, aquela primeira peça do tampo que aparece em uma postagem antiga. Sim, eu não tinha conseguido desempenar com a régua de aço de 1m, pelo contrário, estava bem empenada.

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Re: Bancada do Cosme

Mensagempor fguido » 22 Mar 2015 20:26

Puxa, "no coments"..... :clap:
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Quer outra frase legal? - "... uma das coisas mais perigosas do mundo é um ignorante com inciativa....Mário Sérgio Cortella
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Re: Bancada do Cosme

Mensagempor cosme » 29 Mar 2015 19:40

Os links compartilhados pelo Paulo são extremamente interessantes. Eu acabe de ler os quatros posts. Aprendi e me convenci de alguns pontos. Recomendo a leitura fortemente.

Somente para colocar os devidos pingos com relação a alguns pontos que eu levantei aqui com base na minha interpretação:
1) Não, a madeira não seca em uma relação linear conforme a espessura da peça. Ou seja, a relação é exponencial no sentido de quanto mais espessa mais tempo se leva. O autor demonstra que uma peça de 6" de espessura leva em torno de 70 anos para secar completamente!
2) Há uma inércia maior nas peças mais espessas no sentido de que uma peça mais fina reage mais rapidamente a perda de água, ou seja, peças finas secam muito rápido mais reagem muito rápido("empenam no dia seguinte"), peças espessas secam mais lentamente mas a movimentação é mais gradual, ou seja, há mais estabilidade;
3) Sim, a madeira seca mais rapidamente na testa da peça, e neste sentido a técnica de tentar selar a testa é eficiente;
4) Sim, furar uma peça para expor parte do engrain acelera a secagem ao redor daquele furo, o problema é que o efeito não dista muito do centro do furo.

Enfim, como já bem colocado pelo Paulo, a madeira é muito complexa e boa parte das afirmações ditas são questionáveis ou ao menos baseadas em simplificações da vida real, algo inerente a modelagem matemática.

Boa leitura e obrigado ao Paulo por enriquecer mais uma vez o tópico :)

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Re: Bancada do Cosme

Mensagempor cosme » 21 Abr 2015 21:57

Eu acho que ainda não realizei que finalmente tenho um tampo adequado as minhas necessidades.
É somente a parte principal, porém a mais importante. Com este segmento, munido de alguns furos de 3/4 e alguns apetrechos eu tenho a funcionalidade que talvez seja a mais importante no meu fluxo de trabalho: apoiar adequadamente peças para plainar.

Não sentirei saudades do tampo temporário de Peroba que nunca consegui desempenar :lol:
A margem de erro do desempeno do tampo atual está em 0,33mm segundo o calibrador de folgas xingling que eu tenho :grin:
Também acho que nunca vi eu tirar fitas tão cheias e bem formadas em uma peça desta largura e comprimento, e isto é um ótimo sinal com relação ao quão reto está o tampo. Vamos ver como ele se comporta no seu primeiro amanhecer sem grampos. As minhas expectativas neste sentido são boas devido ao comportamento no dia seguinte quando retirei os grampos para colagem.

Segue abaixo alguns registros fotográficos.

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Segunda-feira pela manhã eu terminei o desengrosso e em cada peça verifiquei o esquadro em cada face e a longitudinal com a régua de 2,1m de Peroba (sim, e ela não precisou ser retificada até agora, uma maravilha) A espessura ficou em 3 polegadas.

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(Dia seguinte após pernoite com os grampos)
Na parte da noite eu fiz colagem. Foi "o momento tenso". Precisei de muita cola e passar a cola em cada face levou muito mais esforço do que eu podia imaginar, fiquei bem preocupado com o tempo mas deu tudo certo. Na verdade havia três conjuntos de grampos na vertical com pequenos sarrafos para ajudar no alinhamento das peças. Os conjuntos foram retirados após os minutos iniciais e deixei somente os grampos da horizontal. Os grampos menores que estão curvados foram obtidos no decorrer do dia no comércio local, quebram um galho, mas nem de longe chegam perto da robustez e eficiência dos grampos tubulares da Bessey.

Imagem
Imagem
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Na parte da noite de hoje eu trabalhei na remoção do excesso de cola na parte superior e no desempeno final. A cola foi removida em boa parte por uma raspilha e o desempeno ficou bem facilitado devido ao cuidado no desempeno de cada peça em particular. Não havia sequer uma torção significativa no tampo.

Levei a sério a dica do R. Cosman: se cada peça for carinhosamente desempenada, o trabalho de plainar o tampo pós-colagem será moleza, agora, caso contrário...

Senhores, eu imaginava chegar neste estágio somente no final do feriado, e de fato não imaginei que pudesse ter um resultado tão facilitado pós-colagem para o desempeno, agora resta-me saborear o tampo amanhã ao raiar do dia e pensar no próxima passo: plainar o end grain? furos de 3/4? :think: Só sei que antes de atacar qualquer outra parte do projeto quero deixar o tampo funcional e confortável para o trabalho de plainar.

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Re: Bancada do Cosme

Mensagempor fguido » 22 Abr 2015 12:29

Como eu já falei antes, uma peça assim é pra ficar no meio da sala de visitas e não na oficina.

Parabéns.
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